Arquivo da categoria: Momentos Aracaju

adorei te encontrar grisalho também

adorei te encontrar grisalho também assim alto de abraço no corpo sem dobrar os joelhos ombro no ombro a boca carnosa à altura do olhar.

adorei te encontrar grisalho também e sem permissão  te raptei pro passeio comigo no desejo não pronunciado enquanto bebericava  do calor do teu corpo tão perto tão longe e se tu me beijasse eu teria te entregue minha boca inteira.

adorei te encontrar grisalho também eu enfim à vontade pra te achar assim tão lindo eu dançarilhando e enfim à vontade pra esse te quero desde antes de tu pedir que eu ficasse.

música museu arte política escrita ali perto de ti no meio das gentes  fogos de artifício espocavam.

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Revoar

Uma das cenas mais famosas do cinema de todos os tempos certamente é a de Rose de braços abertos sobre a ponta da popa do Titanic, gritando no meio do oceano e aos quatro ventos “I’m flying, Jack”.

No meu caso, a partir de hoje, onde se lê “Jack”, leia-se “gente”!

Não, nenhuma outra relação de intertexto é possível aqui: meu barco não vai afundar, meu Titanic é só um barquinho a remo, não tem nenhum Jack na minha vida (e, por mérito meu, nenhum Caledon também) e não encontrei no bolso do casacão um diamante em forma de coração.

Há só novos projetos de vida.

Voo de volta pro sul, levando Cloé numa asa e Malucat sem rabo na outra (sim, voar é com os gatos).

Vou sentir saudades dos alunos, do mar, dos alunos, deste azul do céu, dos alunos, de andar descalça, dos alunos, de carne de sol com cebola, dos alunos, da paçoca ao pilão do Potiguar, dos alunos, de a roupa secar rápido, dos alunos, de sorvete de tapioca do Castelo, dos alunos, de macaxeira sob todas as formas, dos alunos.

Os alunos, (des)abraço a partir de hoje, texto a texto até 17 de dezembro.

Dos amigos Lela e Little Charles, me despeço oferecendo macarrão. A Barilla virá, claro, diretamente de Marimbondo do seu Sabal.  

Aos (e com) os amigos alunos AAA (Alvinho, Alci, Anderson Ribs), três chopes aos outros amigos e aos outros brindes que ainda virão.

Da família que fica por aqui, as despedidas serão com uma canastra de ases. E um bife à milanesa.

Porque pra voar, às vezes é preciso abandonar o barco.


Querido rabo, adeus.

A Malucat, esta criatura aí de cima,  daqui a pouco entra em dieta zero pra amputação do seu lindo rabo, sob os cuidados da dra. Hortência (4 Patas).  Quem mandou despencar sabe-se lá de onde, fraturar o osso que junta o corpo ao rabo e, puts, cuspir toda medicação sem que eu percebesse? Adeus, lindo e elegante rabo. Fico torcendo pra que a ausência do rabo inerte entre as patas permita que a maluquita volte a acertar o rumo da caixa de areia.

Minhas homenagens, com amor felino.

PS: Então que a bichana usou fraldas por uns dias, não sem muita agonia, claro. Tirados os pontos, está no exercício trabalhoso de reaprender a dominar  a bexiga.  Durante o dia, gasto tubos de Veja e vários rolos de papel-toalha, domesticando o bicho. À noite, tem ficado de castigo na sacada (com caminha, comida, água e caixinha de areia). Mas acho que tá quase pronta pra voltar a desfrutar da nossa companhia e do ar-condicionado sem que eu corra o risco de perder meu colchão.

Abaixo, um clipezinho com uma das brigas da Cloé com Malucat, estilizada à moda operística por Rossini. http://mais.uol.com.br/view/e9k2j91iyhc9/dueto-comico-de-dois-gatos–rossini-04023560C8898346?fullimage=1&types=A


Por ordem de chegada

Não sem muito desconforto e não sem esbravejar durante um bom tempo, nos últimos cinco anos me rendi afinal à falta de pontualidade nas agendas dessa cidade. Se alguém marca com você e diz que vai chegar às sete, pode se organizar pra esperar até as oito, pelo menos. As outras meias horas depois destes primeiros 60 minutos vão depender muito de quem é a pessoa que marcou com você e de que natureza é o compromisso. Mas a regra é pelo menos uma hora de espera.

Qualquer jantarzinho despretensioso rende sempre isso. Às vezes, me enquadro e prometo só começar a arrumar as coisas considerando que haverá uma hora de atraso. Essa é a regra. Mas, ao mesmo tempo, anfitriã, me pergunto: e se forem pontuais, e ao baterem à porta sequer banho eu tomei? Uma vez, fiz uma massa especial de pizza, batida e aberta à mão, à boa moda italiana; quando os convidados chegaram, quase duas horas depois do combinado, a massa de pizza já tinha virado massa de pão e já tinha murchado; eles fizeram a gentileza de achar ótima e pedir bis.

Essa prática socialmente legitimada por essas bandas não se aplica apenas ao âmbito doméstico, privado. Ao contrário, pelo menos uma hora de espera é extensiva inclusive a saidinhas despretensiosas à praia. Basta lembrar quantas vezes me arrependi de passar o filtro solar em casa: quando cheguei à praia, já era.  Nunca me aconteceu – nem na condição de convidada – mas é bem frequente ouvir comentários sobre noivas que se atrasam inabalavelmente e deixam seus 300 convidados cozinhando por quase duas horas em fogo brando entre tafetás e ternos de microfibra. Até os padres reclamam! Diz que um deles agora  definiu um prazo de até 30 minutos depois da hora marcada: se a noiva não chegar, ba-baus cerimônia.

Assim, com esses no mínimo 60 minutos de espera em tão diferentes instâncias do trânsito social, fica fácil entender por que é tão excepcionalmente raro encontrar um médico que atenda com hora marcada. A maldita expressão “por ordem de chegada” é a segunda resposta que ouço depois de “sim, atende seu plano de saúde”, e é também a razão pra eu desistir e fazer outras 14 tentativas à procura de algum médico que pelo menos agende três ou quatro pacientes por bloco de uma hora, coisa minimamente civilizada. Nesta semana, me rendi e aceitei pagar uma consulta particular, 120 contos de réis, cancelada imediatamente ao ouvir da secretária que também era por ordem de chegada, ainda que eu estivesse desembolsando 120 pilas.

“Por ordem de chegada” é uma instituição legitimadora da total falta de compromisso com o outro e da total falta de respeito com o tempo alheio. Significa que tenho que me submeter ao tempo do outro, dedicar-lhe um turno inteiro do meu tempo por causa da inexplicável falta de habilidade em lidar com a simplicidade de uma agenda.

Se o tempo do médico é caro o meu é também, ainda que eu ganhe muito menos do que ele. E de nada adiantam ar-condicionado, café, água gelada, as compulsórias velhas edições das revistas de sempre e televisão ligada.

Adoraria, um dia, assistir apenas a um bloco, por exemplo, do programa da Ana Maria Braga, à espera do atendimento. Mas naquela imensa sala de 15, 25 – já contei 50 cadeiras enfileiradas, uma ruma de gentes espera. Louro José dá pitacos desde a abertura, passa pelos comentários, pela receita do dia, pela entrevista, e eu ainda ali, acompanhando também os comerciais.

Adoraria, um dia, ficar sem saber do vestido da celebridade da vez e da corrupção do mês passado. Adoraria, um dia, nem ter tempo de tomar um cafezin durante a espera pelo atendimento. Adoraria, um dia, encher minha garrafinha de água apenas uma vez.

E nem me diga pra levar um livro, pois a barulheira de atendentes às voltas com telefones e microfones (sim, pasmem, a barulheira é tanta que há um microfone pra chamar os pacientes na hora do atendimento) e as conversas sobre assuntos privados ampla e invasivamente compartilhados via celular nas salas cheias de gente impedem as mínimas condições pra uma leitura, até mesmo pra uma leitora profissional como eu. Além disso, se quero ler leio em casa, no meu lugar preferido, e não numa sala que, até onde sei, deveria ser apenas uma sala de espera, e não uma sala de confinamento obrigatório de gente que deveria estar aí   li-te-ral-men-te   de passagem durante, 30, 40 minutos no máximo.

Até há pouco, parecia que apenas a mim o troço incomodava.

Agora não mais. Dá quase pra se rebelar. 

Alguém além de nós, @glauco_vinicius?

glauco_vinicius Glauco Vinícius    Médico: “Tudo bem, Glauco?” Eu: “Tirando a demora pra ser atendido, tudo” Médico: “É, rapaz, meu dia n foi fácil…” E o meu foi, né?! 5 ore fa

glauco_vinicius Glauco Vinícius Três horas esperando a consulta. Parabéns a todos os envolvidos. “


Caro Carpinejar:

Fui sua colega por um dia, no mestrado em Letras\UFRGS, em 1998\9, não tenho muita certeza. Era uma aula do Fischer, eu entrei uma semana depois do início da aula, no segundo semestre do curso, desertando da pós em Linguística. De terno, você sentava ao lado dele, comentando o “À Mão Esquerda”. Quis muito me meter na conversa, eu tava lendo o Wolff, meio chapada com aquela versátil e bruxuleante alteração de ponto de vista a cada capítulo. Mas eu sofro de timidez crônica, e calada estava, calada fiquei.

Quase uns 12 anos depois disso, dia desses chega na minha casa em Aracaju uma Zero Hora mandada por uma tia de Flores da Cunha que acrescentou a edição da ZH às do jornal O Florense, enviadas religiosamente a cada vez que chegam aqui na capital sergipana as encomendas de farinha pra pão, amendoim do grandão, chimia de figo, compotas, réstias trançadas de cebola e alho, sálvia fresca, eventualmente alguma muda de planta e frutas e legumes de cada estação (pinhão e a montenegrina: os ++).

O lícito contrabando vem por amigos caminhoneiros que puxam carga pras bandas de cá com relativa frequência: eles nos avisam que estão subindo e passamos a lista de encomendas à tia, dando a partida pras compras e fechamento de caixas antes de fecharem a carga.

A chegada do caminhão, como você bem pode imaginar, é sempre uma festa, motivo de telefonemas monitorando as horas que nos separam da abrição de caixas: a reunião familiar é uma verdadeira algazarra de divisão dos bens entre nós cinco, gaúchos migrados pra cá (minha irmã primeiro, no início dos anos 80; em 97, meu irmão e meus pais; e eu, menos de uma década depois).

Isso tudo te contei pra te dizer que foi mergulhada nessa revivência de “ser de Flores da Cunha” promovida pela chegada da muamba que li o teu texto “vida de gringo”: me devolveu de volta pra casa, ali, no meio daquele cenário de olfatos e texturas e cores e notícias velhas mas recém-chegadas de lá.

Mais uma vez, a poesia opera milagres.

Grata por esse seu.


A 30 dias do 20 de setembro

Sei, falta ainda quase um mês, mas já que não vou pro churras e pro carreteiro lá do Harmonia, rendo homenagem aqui a quem me  torna possível “ser gaúcha” a três mil km de distância.

♥ À Barão de Cotegipe, que me manda erva-mate pelo correio a cada 60 dias. Chega aqui a 10 pilas por quilo. Eu pago bem feliz.

♥ À vitivinicultura da serra gaúcha, por expandir mercado até as bandas acima da linha do Equador. Cada vez mais variedade. E qualidade. Tim-tim.

♥ Às amigas Rosa e Rosângela, pelas impagáveis comprinhas que tem só na fronteira com o Uruguai.

♥ Ao inventor do isopor, que me permite trazer a costela quando volto da capital gaúcha.

♥ À Susana Gastal, por elevar o portoalegrês ao mais alto refinamento intelectual, sem frescura nenhuma.

♥ À Ana Zilles, que me mandou o livro do Vitor Ramil.

♥ Ao Simões Lopes Neto, por “O Negro Bonifácio” e por “Trezentas Onças”. Ao Érico, pelo “O Continente”; ao Quintana, pelo “Mapa” de Porto Alegre. Ao Scliar, por ter respondido meu e-mail.

♥♥♥ Ao Cavanhas (da Demétrio para a Lima e Silva),  o melhor xis do mundo.

♥ Ao Beto Vianna, que é lindo até pilchado e que maneja uma faca como ninguém.

♥ ∞ Ao Kleinowsky. A primeira vez que o vi, estava de camiseta branca, bombacha, boné de couro, mala de garupa e chinela campeira. Foi embora da minha vida pela primeira vez cantando “Veja que cabeça louca: pondo teus olhos em mim // Eu que sempre ando depressa não vou te fazer feliz // Esquece de mim, te peço, eu sou como o Uruguai // Que sem deter sua marcha, beija a barranca e se vai”. Uma hora dessas, ele sai de um outro fandango pra estar comigo.

♥ À tia Clarice, que compra/encomenda/organiza/empacota as gordiças gaúchas: amendoim do grandão, chimia de figo, queijo de campo, linguiça de colônia, alho e cebola de casca amarela em réstias trançadas, vinho, farinha de trigo especial e as guloseimas de hortifruti de cada estação. Pinhão, laranja de umbigo e berga montenegrina das Antas são hors concours.

♥ Aos caminhoneiros florescunhenses Bonzo e Perachio, que atravessam três mil e trezentos quilômetros  de país com nossa muamba na boleia do caminhão.

♥ Ao meu irmão Moisés, que ainda se emociona contando causos da fronteira, dos tempos que ele morou em Quaraí, pelos churras impagáveis na churrasqueira perto do mar, pela “oitiva” à moda campeira e por afiar minhas facas de cozinha.

Mas, ainda que eu ache o máximo isso tudo, depois de 10 anos na estrada, penso que podiam mudar o hino: aquela coisa de “Sirvam nossas façanhas De modelo a toda terra” é meio demais, né não?


Discurso de Paraninfa – Jornalismo Unit 2011/1

PROFESSORA VALÉRIA BONINI, COORDENADORA DO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA UNIVERSIDADE TIRADENTES; COLEGAS PROFESSORES E DEMAIS COLEGAS DA UNIT,QUE TAMBÉM RECEBEM A HOMENAGEM DESTA TURMA DE FORMANDOS. CAROS ALUNOS E EX-ALUNOS E QUIÇÁ, FUTUROS ALUNOS, AQUI PRESENTES. PREZADOS PAIS E DEMAIS FAMILIARES, AMIGOS, NAMORADOS E NAMORADAS, PARCEIROS PRESENTES OU JÁ AUSENTES NA VIDA DE CADA UM DE VOCÊS.

QUERIDOS E QUERIDAS JORNALISTAS: AISLA, IGOR, ALINE, RENATO, NEVERTON, WILSON, TIFANY, ROSENDO, CEIÇA, LUCIVANIA.

AGORA, AQUI, ENQUANTO ESCREVO ESTE TEXTO, EVOCO OS NOMES DE VOCÊS PELA MEMÓRIA, SEM PRECISAR DA AJUDA DA ORDEM ALFABÉTICA. E SEM HESITAÇÕES, ASSOCIO O NOME À PESSOA, COM ABSOLUTA TRANQUILIDADE.

A ÚNICA DÚVIDA QUE PAIRA É SOBRE CAROL E DANI. OU SERÁ DANI E CAROL? DOU UMA ESCAPULIDA RÁPIDA E JÁ QUE NÃO TENHO MAIS A LISTA DE CHAMADA COM O NOME DE VOCÊS, PEGO COLA NO CONVITE. MAS AINDA ASSIM, NOS BREVES SEGUNDOS ENTRE FECHAR E ABRIR OS ARQUIVOS NA TELA DO COMPUTADOR, A MEMÓRIA ME TRAI E FICO SEM SABER SE A CAROL É AQUELA QUE DANÇOU MUITO NA AULA DA SAUDADE OU SE É AQUELA QUE DORMIU DE CANSAÇO À BEIRA DA PISCINA. FICO SEM SABER SE A CRIADORA DE HAMSTERS É A DANI BIJU OU SE A QUE GOSTA DE ROSA PINK É A CAROL. E AINDA AGORA, OLHANDO PRA VOCÊS DUAS DAQUI, SE TIVER QUE NOMEÁ-LAS, NÃO SERÁ SEM ALGUMA AFLIÇÃO.

MAS, SE HOJE TIVESSE SAÍDO UM JORNAL FEITO POR VOCÊS, EU TERIA BOAS CHANCES DE SABER QUAL TEXTO É DE QUEM, MESMO QUE NÃO HOUVESSE A ASSINATURA EM CADA UM DELES E MESMO QUE O LEAD TIVESSE TORNADO MAIS OU MENOS HOMOGÊNEA A ESTRUTURA DOS TEXTOS.

MAS ISSO NÃO É O MAIS IMPORTANTE, POIS ACHO QUE SE ESPERA DE UM PROFESSOR QUE ELE RECONHEÇA A ESCRITA DE SEUS ALUNOS DEPOIS DE 5 SEMESTRES DE PRODUÇÃO TEXTUAL.

O MAIS IMPORTANTE É QUE SE HOJE TIVESSE SAÍDO UM JORNAL, EM EDIÇÃO ESPECIAL, A CHAMADA PRA MATÉRIA PRINCIPAL PODERIA SER ASSIM:

12 NOVOS JORNALISTAS PRA N DÚZIAS DE MATÉRIAS

NOVOS GRADUADOS EM JORNALISMO PELA UNIT SE INTEGRAM À IMPRENSA SERGIPANA

MAS TAMBÉM PODERIA SER ESTA:

 JORNALISMO SERGIPANO RECEBE 12 NOVOS PROFISSIONAIS

OU AINDA

DESAFIOS DIÁRIOS ESPERAM NOVOS PROFISSIONAIS DA IMPRENSA LOCAL

OUTRO POSSÍVEL

12 CABEÇAS E 12 SENTENÇAS: O COTIDIANO DE SERGIPE RETRATADO POR DIFERENTES PONTOS DE VISTA

MAS TAMBÉM PODERIAM SER OUTRAS AS CHAMADAS PRA MATÉRIA PRINCIPAL, SE COMO LEITORES, A GENTE PUDESSE LER TAMBÉM  A VIDA QUE ESTÁ ANTES E JUNTO COM ESSA MATÉRIA, SE ELA TIVESSE A ASSINATURA DE CADA UM DE VOCÊS: UMA MATÉRIA ESPECIAL EM CADA PÁGINA.

NESTA CONDIÇÃO, DE LEITOR ONISCIENTE, DE UM LEITOR QUE TUDO SABE E A QUEM SERIA FACULTADO O CONHECIMENTO DO CONTEXTO,  DOS MODOS DE PRODUÇÃO E DOS PROTAGONISMOS PESSOAIS QUE ANTECEDEM A ASSINATURA NESTA MATÉRIA HIPOTÉTICA, NESTA CONDIÇÃO DE LEITORES PRIVILEGIADOS, É BEM PROVÁVEL QUE A GENTE LESSE SUBTEXTOS À MERCÊ DE VENTOS VINDOS DE DIFERENTES DIREÇÕES.

É COMO SE O TÍTULO DA MATÉRIA, EM CAIXA ALTA E NEGRITO, CORPO 16 EM PRETO A 100 POR CENTO, FOSSE SENDO SOBREPOSTO POR UM ENUNCIADO EM MAGENTA, PARTES DO ENUNCIADO VINDAS DE LUGARES DIFERENTES, AS LETRAS SE JUNTANDO EM PALAVRAS, ESTAS EM ARRANJOS DIFERENTES EM FUNÇÃO DOS 12 PROTAGONISMOS QUE TÊM EM COMUM A ESCOLHA PELO JORNALISMO COMO FORMAÇÃO E COMO PROFISSÃO.

EU, PROFE DE VOCÊS DURANTE CINCO SEMESTRES DO CURSO, ACHO QUE NÃO PRECISO DESSA LENTE MÁGICA PRA LER OS SUBTEXTOS DO TÍTULO “NOVOS GRADUADOS EM JORNALISMO PELA UNIT SE INTEGRAM À IMPRENSA SERGIPANA”.

ARRISCO DAQUI QUE PASSAM AGORA PELA CABEÇA DE VOCÊS VÁRIOS FILMES; ARRISCO DAQUI QUE VEM À CABEÇA DE VOCÊS A MEMÓRIA DOS PROTAGONISMOS QUE ANTECEDERAM E DEFINIRAM A OPÇÃO PELO JORNALISMO.

QUEREM VER?

“MÃE, PAI, CONSEGUI! BRIGADÃO, VIU? / CARA, ENFIM REALIZEI MEU SONHO! / QUE PENA QUE VOCÊ NÃO ESTÁ AQUI! MAS EU TE GOSTO MUITO, VIU? SAUDADE! / UM ESTÁGIO, MINHA ESCOLHA! / 45 LINHAS – AGORA É MAMÃO COM AÇÚCAR! / NEM NAMORAR DEU TEMPO, DE TANTA COISA PRA FAZER! / JÁ TÔ COM SAUDADE DAS AULAS! / E O CAFÉ NAS MADRUGADAS DO TCC? / COESÃO LEXICAL OU GRAMATICAL? / CONSEGUI ESCREVER SEM ADJETIVOS! / PRONTO, AGORA É PARTIR PRA LUTA! / NORMA CULTA OU NORMA OCULTA? / SOB OUTRO PONTO DE VISTA, A HISTÓRIA SERIA OUTRA! / AQUELE VERBO DICENDI QUASE ACABOU COM MINHA MATÉRIA! / AH, SE O BANCO DO CCS FALASSE! / CONCRETUDE NELES! / AH, AQUELA NOITE DEPOIS DA AULA! / E O MACARRÃO SEM MOLHO DE TOMATE? / LEMBRA DAQUELE NOSSO SÃO JOÃO? / DE 65 LINHAS A 65 PÁGINAS: UM LIVRO-REPORTAGEM PELA FRENTE! / E AS NOITES VIRADAS ANTES DAS PROVAS?

PERGUNTAS APENAS RETÓRICAS, POIS QUE AS RESPOSTAS JÁ FORAM DADAS NO PERCURSO, E HOJE FAZEM A FUNÇÃO DE SITUÁ-LOS E ACOLHÊ-LOS NA ALEGRIA DA REALIDADE E CONCRETUDE DESTE MOMENTO EM RELAÇÃO AO SONHO E AO DESEJO DE SER JORNALISTA. AGORA VOCÊS SÃO JORNALISTAS.

E EU SOU PARANINFA DA TURMA DE VOCÊS. AQUI, DESTE LUGAR DE HONRA COM QUE VOCÊS ME PRESENTEARAM, COMO PROFESSORA, DIGO COM TOTAL TRANQUILIDADE: FOI O MELHOR QUE EU PUDE FAZER, MEU TRABALHO COMO PROFE É O MELHOR DE MIM.

MEU DESEJO É QUE EM CADA MATÉRIA QUE VOCÊS PUBLICAREM, EM CADA TRABALHO QUE VOCÊS FIZEREM, SE POSSA LER, COM AQUELA LENTE MÁGICA ACIONADA PELOS PROTAGONISMOS DE CADA UM DE VOCÊS, SE POSSA LER “ISSO FOI O MELHOR QUE EU PUDE FAZER”, “ESSE TRABALHO É RESULTADO DO MELHOR DE MIM”.

MUITAS OUTRAS ALEGRIAS PRA VOCÊS.

OBRIGADA