Revoar

Uma das cenas mais famosas do cinema de todos os tempos certamente é a de Rose de braços abertos sobre a ponta da popa do Titanic, gritando no meio do oceano e aos quatro ventos “I’m flying, Jack”.

No meu caso, a partir de hoje, onde se lê “Jack”, leia-se “gente”!

Não, nenhuma outra relação de intertexto é possível aqui: meu barco não vai afundar, meu Titanic é só um barquinho a remo, não tem nenhum Jack na minha vida (e, por mérito meu, nenhum Caledon também) e não encontrei no bolso do casacão um diamante em forma de coração.

Há só novos projetos de vida.

Voo de volta pro sul, levando Cloé numa asa e Malucat sem rabo na outra (sim, voar é com os gatos).

Vou sentir saudades dos alunos, do mar, dos alunos, deste azul do céu, dos alunos, de andar descalça, dos alunos, de carne de sol com cebola, dos alunos, da paçoca ao pilão do Potiguar, dos alunos, de a roupa secar rápido, dos alunos, de sorvete de tapioca do Castelo, dos alunos, de macaxeira sob todas as formas, dos alunos.

Os alunos, (des)abraço a partir de hoje, texto a texto até 17 de dezembro.

Dos amigos Lela e Little Charles, me despeço oferecendo macarrão. A Barilla virá, claro, diretamente de Marimbondo do seu Sabal.  

Aos (e com) os amigos alunos AAA (Alvinho, Alci, Anderson Ribs), três chopes aos outros amigos e aos outros brindes que ainda virão.

Da família que fica por aqui, as despedidas serão com uma canastra de ases. E um bife à milanesa.

Porque pra voar, às vezes é preciso abandonar o barco.

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26 respostas para “Revoar

  • Joscivanio (Vânio)

    Profe, não gosto de despedidas.
    Custou-me muito chegar ao fim da leitura deste texto…
    Sentiremos tua falta; a saudade será inevitável!

    P.S.: Mas… é sério mesmo, é? Irás partir? 😉

  • Guto Oliveira

    Professora, fiquei triste em saber que a senhora vai nos deixar, mas pode ter certeza que o que fica é todo o nosso carinho e gratidão por tudo, por todos os ensinamentos, de sempre.

    Tenha certeza que a senhora foi uma das pessoas mais importantes em minha vida acadêmica: começando lá em 2005, primeiro período de Direito, até hoje.

    Todo o sucesso e felicidade do mundo pra Senhora. Obrigado por tudo, sempre.
    Beeijos, beijos
    Guto

  • Ingrid Haanwinckel Sanches Colaço Melo

    Realmente chegar ao fim desse texto deixa o coração apertado ao saber da sua partida.
    Espero que o seu retorno seja para ares e ventos mais felizes.
    Beijos e boa sorte

    Saudades antecipadas.

  • Bárbara Oliva

    Se tem uma coisa que todos concordamos é da falta que essa pessoa irá fazer a cada um de nós. Do primeiro período até agora querida professora, posso dizer que foram muitas decepções, algumas delas desmotivadoras da continuação no curso. Mas em todos eles lá estava a senhora com esse sotaque gaúcho incentivando a todos nós (posso dizer que em especial a mim…).
    Sentirei sua falta Ester, mas que se for para mudar que mude para melhor. Boa sorte nesta nova fase de sua vida e não se esqueça daqueles que está deixando (temporariamente).
    Um bju carinhoso, da já saudosa, Bárbara Oliva

  • Thiago Barbosa

    Realmente a pior notícia do ano. Vou sentir saudades!! Minha madrinha…

    Um beijo carinhoso…e vamos marcar algo antes de sua ida!

  • Diogo Oliveira

    Quantas vezes ouvimos o dizer: “o que é bom durou pouco”. A vida nos reserva esses momentos felizes na tentativa de driblar a dura realidade, embora já esperássemos pelo fim desses momentos, nunca ficaremos satisfeitos por deixar de vivenciá-los. Sempre desejamos prolongá-los ao máximo esses momentos, o que no nosso caso, seria poder está junto em mais um período acadêmico, e assim poder completar um ciclo vitorioso e uma parceria de sucesso.
    Desde as primeiras aulas, desenvolvi um apego e um carinho pela sua dedicação e entusiasmo pela arte de ensinar, essa característica é que a torna essa profissional tão diferenciada e admirada pelas pessoas que realmente anseiam aprender.
    Mesmo com as pestanas sendo queimadas a exaustão, a cada texto concluído, representava uma vitória.
    Não tenha dúvida que a sua ausência será amplamente sentida por todos os seus alunos e que sem a senhora a concretude, e palavras armadilhas não farão o mesmo sentido. Sua ausência deixará um grande vazio em nossos corações e eterna saudade desta Gaucha tão peculiar.
    Vai deixar muita saudade em especial para o seu “sobrinho”
    Sucesso nessa nova fase e tenha a certeza de que esse pequeno estado da nação sempre lhe receberá de braços abertos a nossa tão amada Tia Ester a nossa eterna Miss Concretude.
    Att.
    Diogo Oliveira!!

  • Vanessa Passos

    Como assim a minha Miss Concretude vai nos deixar?
    Odeio despedidas e infelizmente 2011 p/ mim foi o ano delas. Umas para sempre e outras temporárias e eu espero do fundo do meu coração que a sua seja assim, temporária…
    Obrigado pelos ensinamentos, pela paciência e pela sua presença sempre tão agradável.
    VOCÊ É MUITO ESPECIAL!!
    Bjos,vou sentir saudades!

  • Álvaro Müller

    “Toda despedida é uma morte”, escreveu o poeta. E eu aqui, claro, incapaz de mensurar a dor da tua partida…..
    Alvinho

  • Laís de Melo

    Eu não vou estudar Jornalismo Literário com outra professora, ta? Ja pode dizer que é mentira.

  • Antonio Oviêdo

    Não acredito. E a gente, como será Jornalismo Literário sem sua presença tão aguardada no próximo e penúltimo sétimo período da caminhada? QUe essa decisão seja para melhorar a sua vida e que não tenha nenhuma “palavra armadilha” nem falte “concretude” em sua vida. Seja feliz, professora e amiga Ester, você me ensinou lições que levarei por toda a vida. E eu só te peço uma coisa em troca: seja feliz onde quer que você vá. Beijão.

  • Catarina Gonçalves

    Emocionadíssima com o texto! Impossível lembrar da época da faculdade sem lembrar da Concretude!
    Um beijo e bons voos, Ester.

  • Fernanda

    Me vejo tanto em você quando o assunto é esse: mudança! Nesse momento, mais uma vez, também estou voando, mudando, voltando…
    Me vejo tanto nesses alunos, que lamentam a tua partida. Tão sentidos! Tão desolados! Tão eu no ano de 2002! Cada recadinho mais comovente que o outro!
    Para esses alunos eu digo: Ester nunca vai embora da gente! Não se preocupem! Até hoje, quase 10 anos depois de eu ter sido sua aluna, a “miss concretude”, vez ou outra, se faz presente em minha vida!
    Para vc, minha querida Ester, eu só posso desejar o obvio: um feliz voo! E parabéns por fazer a difereça na vida de tanta gente!

    Beijo!

    Fê.

  • Alcione Martins

    Amir Klin diz: “Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudades, mas não estará só”. Obriga pela amizade, por fazer parte da minha família…vou morrer de saudades!

  • Hiperydes

    Puxa, que sorte, eu fui seu aluno!!!

  • Larissa Baracho

    A saudade já aperta. Obrigada pela maravilhosa oportunidade de ter sido sua aluna. A melhor das melhores =)

    O jornalismo sem você não será o mesmo.

    Bjão

  • Leo Lotti

    Mulher de atitude! Não tem medo de mudar, de alçar novos voos. Mais uma motivo para admirá-la.Privilégio em tê-la como colega de trabalho. Desejar sucesso é redundância. Felicidades!

  • Jose Rivaldo Soares

    Triste saber que não pegarei Jornalismo Literário contigo, se tem uma coisa que sinto falta é o nervosismo que dá ao ver suas expressões faciais ao ler nossos textos.
    E uma lembrança boa que tenho é da leitura pública do meu texto de emoção forte: ” Nossa, guri, como você faz isso comigo?” Olha para mim, olha para o texto, olha para turma e completa: “Este é o texto.”
    Talvez tenha sido o maior estímulo que recebi de um mestre.
    O que sei sobre a escrita é fruto das suas aulas.

  • Juliane

    Confesso que não terminei de ler o texto, entendi a mensagem antes de chegar ao final. Só quero agradecer a paciência mesmo. Acho que você mais do que ninguém sabe que não sei escrever coisas bonitas e poéticas…
    Fiquei muito triste ao confirmar que você vai mesmo nos deixar e fico triste ao saber que não te aproveitei mais. Não esqueço suas caras e bocas,seus comentários…e até hoje quando faço um texto penso em vc e no que vc diria… vou sentir muita saudade e odiei saber que vc vai embora! Desejar um monte coisas boas soa a despedida e eu odeio isso, então profe, voe e volte! Um beijo

  • ester

    emoções em revoadas a cada marca da passagem de vocês que fica por aqui, com o carinho junto. obrigada.

  • Juliane

    Você sempre estará em Aju! Afinal, as lembranças e aprendizados ficam!

  • Marília Silveira

    Depois de ler muitas vezes e deixar decantar em mim o sentimento que me trazes ali, na última lida tinha lágrima. Molhou o olhou. E eu fiquei sem palavra, elas me escorreram. Mas o poeta me acudiu em tempo:

    “O abandono do lugar me abraçou de com
    força
    E atingiu meu olhar para toda vida.
    Tudo que conheci depois veio carregado
    de abandono.
    Não havia no lugar nenhum caminho de
    fugir.
    A gente se inventava de caminhos com
    as novas palavras.
    A gente era como um pedaço de
    formiga no chão.
    Por isso o nosso gosto era só de
    desver o mundo”

    (Manoel de Barros, como não podia deixar de ser)

  • Arícia Menezes

    Olha… espero que a senhora tenha sucesso em qualquer lugar do mundo, sinto MUITO por aqueles alunos que não terão a sorte de estudar com a melhor, com aquela que consegue nos tirar os resquícios da adolescência a prender a mágica da palavra. Pode ser um detalhe bobo, mas fiz uma limpeza em meus armários, joguei fora provas, apostilhas, papéis de pautas, mas, adivinhe… não consigo jogar os textos da tão querida Ester….
    Mais uma vez agradeço por acreditar em mim e me dar um banho de água fria quando eu precisava, a senhora ajudou a construir essa nova Arícia (nããão, professora!! Não é a Andreza, hein??? kkkkkkkkk)
    Um grande beijo cheio de saudade…

  • Anderson Ribeiro

    Isso me deixa com mais fios brancos aparentes, devo dizer. Mas não me surpreende mais. O eterno ir, vir, devir é, para quem não gosta de estagnações, necessário para poder manter-se vivo. Sentirei voltar a Aracaju e não ter mais massas, vinhos e taças de chopps (mais que três, por favor!) e risadas sem pudor e comentários desconcertantes e papos de seriedade e de amenidades. Intimidade conquistada desde a facul e que estrapolou paredes de sala de aula e muros de instituições. Não sentirei mais porque haverá sempre um lugar, mesmo que alugado, para pousar e por saber que haverá essa cidade, poderei ir, só para vê-la e fazer o de sempre: massas, vinhos e taças de chopps (mais que dez, pelo amor de Deus!) e risadas e… e… e…..

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