Arquivo do mês: novembro 2011

adorei te encontrar grisalho também

adorei te encontrar grisalho também assim alto de abraço no corpo sem dobrar os joelhos ombro no ombro a boca carnosa à altura do olhar.

adorei te encontrar grisalho também e sem permissão  te raptei pro passeio comigo no desejo não pronunciado enquanto bebericava  do calor do teu corpo tão perto tão longe e se tu me beijasse eu teria te entregue minha boca inteira.

adorei te encontrar grisalho também eu enfim à vontade pra te achar assim tão lindo eu dançarilhando e enfim à vontade pra esse te quero desde antes de tu pedir que eu ficasse.

música museu arte política escrita ali perto de ti no meio das gentes  fogos de artifício espocavam.

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Revoar

Uma das cenas mais famosas do cinema de todos os tempos certamente é a de Rose de braços abertos sobre a ponta da popa do Titanic, gritando no meio do oceano e aos quatro ventos “I’m flying, Jack”.

No meu caso, a partir de hoje, onde se lê “Jack”, leia-se “gente”!

Não, nenhuma outra relação de intertexto é possível aqui: meu barco não vai afundar, meu Titanic é só um barquinho a remo, não tem nenhum Jack na minha vida (e, por mérito meu, nenhum Caledon também) e não encontrei no bolso do casacão um diamante em forma de coração.

Há só novos projetos de vida.

Voo de volta pro sul, levando Cloé numa asa e Malucat sem rabo na outra (sim, voar é com os gatos).

Vou sentir saudades dos alunos, do mar, dos alunos, deste azul do céu, dos alunos, de andar descalça, dos alunos, de carne de sol com cebola, dos alunos, da paçoca ao pilão do Potiguar, dos alunos, de a roupa secar rápido, dos alunos, de sorvete de tapioca do Castelo, dos alunos, de macaxeira sob todas as formas, dos alunos.

Os alunos, (des)abraço a partir de hoje, texto a texto até 17 de dezembro.

Dos amigos Lela e Little Charles, me despeço oferecendo macarrão. A Barilla virá, claro, diretamente de Marimbondo do seu Sabal.  

Aos (e com) os amigos alunos AAA (Alvinho, Alci, Anderson Ribs), três chopes aos outros amigos e aos outros brindes que ainda virão.

Da família que fica por aqui, as despedidas serão com uma canastra de ases. E um bife à milanesa.

Porque pra voar, às vezes é preciso abandonar o barco.


Querido rabo, adeus.

A Malucat, esta criatura aí de cima,  daqui a pouco entra em dieta zero pra amputação do seu lindo rabo, sob os cuidados da dra. Hortência (4 Patas).  Quem mandou despencar sabe-se lá de onde, fraturar o osso que junta o corpo ao rabo e, puts, cuspir toda medicação sem que eu percebesse? Adeus, lindo e elegante rabo. Fico torcendo pra que a ausência do rabo inerte entre as patas permita que a maluquita volte a acertar o rumo da caixa de areia.

Minhas homenagens, com amor felino.

PS: Então que a bichana usou fraldas por uns dias, não sem muita agonia, claro. Tirados os pontos, está no exercício trabalhoso de reaprender a dominar  a bexiga.  Durante o dia, gasto tubos de Veja e vários rolos de papel-toalha, domesticando o bicho. À noite, tem ficado de castigo na sacada (com caminha, comida, água e caixinha de areia). Mas acho que tá quase pronta pra voltar a desfrutar da nossa companhia e do ar-condicionado sem que eu corra o risco de perder meu colchão.

Abaixo, um clipezinho com uma das brigas da Cloé com Malucat, estilizada à moda operística por Rossini. http://mais.uol.com.br/view/e9k2j91iyhc9/dueto-comico-de-dois-gatos–rossini-04023560C8898346?fullimage=1&types=A