Arquivo do mês: março 2011

Adoro tapas!

E beijos também.

Ambos em quantidade e frequência  generosas,  e que estejam preferencialmente disponíveis, acessíveis, prontos pra regozijo e glória dos meus desejos.

Com beijos, é mais fácil. Pero no es  lo que ocurre con las tapas.  Pra elas, só estando na Espanha.  A vivência estética com Gaudi é uma epifania pro olhar, deslocado em contornos até então  inimagináveis pra uma arquitetura tão ortodoxa de uma igreja ou de uma casa, por exemplo.

Se a obra do catalão produziu em mim arrebatamentos vertiginosos,  não menos arrebatadoras foram as alegrias instintuais, eu bicho humano,  ao experimentar las tapas, meu destino preferido em Barcelona.

Três dias à base de tapas é uma experiência gastronômica que se agiganta em importância cada vez que lembro da breve estada catalã. Primeiro, porque com esse tradicional tipo de prato espanhol é plenamente possível ser vegetariana e comer com requinte. Segundo, porque são de uma simplicidade ameaçadora à preguiça: um bom azeite e as combinações tradicionais e ou inventivas de ingredientes garantem uma refeição leve, nutritiva e ab-so-lu-ta-men-te deliciosa. Terceiro, porque a simplicidade é equivalente à rapidez;  é plenamente possível ter legumes e verduras pré-cozidos à mão pra juntá-los acrescentando algo fresco: um cogumelo, uma alcachofra, mesmo um simples brócoli. Quarto, porque se não dá pra comprar cogumelos e alcachofras (ou por não ter ou por serem caros demais) dá pra fazer com vagem,  repolho e cenoura, por exemplo.

Além disso tudo, há também as bonitezas das cores envernizadas de azeite e o aroma que ascende em prazeres antes mesmo de levar o garfo à boca. Imagine isso tudo com uma taça de vinho tinto e dá pra lidar deliciosamente bem com a índole orgástica da boa comida.

Junto com vinhos e pão franceses,  chocolate e cerveja belgas, e a pasta  e o café da manhã na casa de Mohand e Kika e tá mapeada uma viagem feliz.

Agora, 12h15, hora de Brasília: vou me preparar pros tapas do dia.

Pros beijos, tô sempre pronta.

                               photo by GreiceS

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If I speak English, I would have said … (or, again, for Mohand)

Well, sorry for my errors, but anyway, today, I speak to you. Yes, I now, I am later, because I went back to Brazil in  january 18h, and I have long time for this text. But I  have  not courage; only now.

I ask to you: please,  read these lines as if I was talking to you, with my hesitations, with the mess with the phrases and trying to hit my funny faces.

When do you waited us  in the  station train, I was very tired, because the long and uncomfortable  treep. It my long legs do not have espaço/espace?  in the economic clas, and I was realy tired because of  that.

Still, I would have said more than “hello!” I could,  because I knew at least say “How are you?” I can say from my 12 years of age.

On Belgian land, after crossing the small Heverlee city, in the your car,  with the first real snow of my life, arrived at the lovely home, warm, comfortable and even more delicious after you set the “raclette dinner”.

When we sit, I would have said “Hmmm, delicious ” and I had been eat this  for since I saw the picture on the flicker’s Kika. I was very hungry, after many long hours (sixteen?) of travel and airline and airport  foods.

It’s pretty cool to have a namorido  (Kika, Help me!) thus making food to cool aunt who comes to visit. And I loved that you called me “tia”.  I loved it even more when you thought you knew this was my name. Imagine, I thought was that you had adopted me.  🙂 That was funny. And I loved.

I want to say tanks for the trip a belgiun Cabare Burlesque, include the return at home, whem do we slipped in the snow, huhu-ziiip-huou-zap!. I was afraid, but I trusted the driver and after the shock, it was fun.

In the next day, you fell and injured his arm. And whem do you back home, at the meio da tarde/ midaafternon (?), I make your omelet with poró garlic. I stay in the kitchen, watching from afar to see if you like. But I was worried, realy, because  your arm would be paing at the way you cared of him, eating with right hand, the left resting in the leg.

Then we were in Paris, but during the trip would have asked to stop, take a picture that scene that were beautiful trees along the road, between the white floor and white sky, dancers frozen in an improbable and magical dance, much more beautiful than in Versailles ballet. But before this, I say “Mohand, do you want stop to rest a lithe?”, and, with the help of Monique, I think I might have offered to drive. 🙂  🙂  She speaks Portuguese, all right?

I’m sorry, but writing in English is so hard for me, very difficult.  I’m tired. I have many things for tell you, but today, I stop here. But there will be “to Mohand, again”.  🙂  Do you mind?

I hoppe you are weel. I mean, you two are well.

Lovely kisses, for Kika also.

(PS: I have english classes,  twice a week. In the our next  meeting, I think I can speak with you. In english.)


Alegrias sem carnaval (e com amor, para Mohand)

Ano passado, li o livro. Ontem, revi o filme “Julie & Julia”, a história da jovem Julie, americana deste início de milênio, às voltas com a produção de 524 receitas do livro de Julia Child, escrito por ela e duas amigas nos anos 40 do século passado, no espírito de tornar acessível a então já refinada culinária francesa a donas de casa americanas.

Na vida real, Julie publica  no  blog  “Julie/Julia Project”  o desafio a que se propôs em 2003: em 365 dias, fazer  524 receitas do famoso livro Mastering the Art of French Cooking, e comentá-las.

Imagine esse contexto em pleno recesso carnavalesco: claro, só podia ir pra cozinha me divertir. Caprichei numa receita minha de berinjela, que ficou realmente muito boa. Além de gostosa, é versátil: pode temperar una pasta (de preferência, fusilli, cujo formato favorece a aderência da berinjela desta minha receita), pode ser servida com torradas como tira-gosto e até mesmo como guarnição: com arroz branco, salada de folhas verdes e uma carne grelhada é quase um banquete.

Então, no espírito de Julia, compartilho a receita.

Ingredientes

3 beringelas tamanho médio,  5 colheres de sopa de manteiga Aviação (ou uma outra qualquer de boa qualidade), 3 pimentas de cheiro cortadas em tiras fininhas, sem semente,  3 cabeças de alho picado, 100 gr de cogumelos brancos laminados, 100 gr de azeitonas verdes laminadas sem caroço. Azeite de boa qualidade, vinagre balsâmico de boa qualidade e sal.

Modo de fazer Cortar a berinjela bem fininha: primeiro em rodelas e depois em tirinhas. Você saberá que está fazendo certo se o formato das tirinhas ficar bem parecido com um palito de fósforo; na consistência, a malemolência de um fio de spaguetti cozido. Separe. Numa panela de fundo grosso, aqueça três colheres de manteiga e deixe em fogo médio enquanto adiciona a berinjela aos poucos, mexendo sempre pra não grudar. Use colher de pau ou de tefal. Quando metade da berinjela já estiver na panela, coloque o resto da manteiga espalhada sobre ela e vá acrescentando aos poucos o restante da berinjela. Mexa sempre; depois de uns 3-5 minutos neste processo inicial, a berinjela vai ficando escura e soltando uma aguinha. Essa é a hora em que você tampa a panela pra que a berinjela cozinhe no seu próprio caldinho, produzido pelo vapor, durante outros 3-5 minutos, não mais do que isso. A hora de mexer durante este processo a gente sabe pelo ouvido: preste atenção no quanto agudo está o barulhinho. Quanto mais agudo, mais perto de queimar. Na falta de um ouvido treinado pra essas sutilezas, acerte pelo excesso: tire a tampa da panela pra mexer a cada 60 segundos. Ainda que isso seja feito a contento, cuide pra não deixar queimar.

Os riscos aqui são a) fogo muito alto ou b) panela com fundo muito fino. Administre essas variáveis e a berinjela ficará com brilho e cheirosa. Desligue; e assim, com a berinjela ainda borbulhando na sua própria polpa, adicione o alho, o cogumelo e a azeitona, mexendo bem. Deixe tudo ali, bem misturadinho, com a panela tampada, até esfriar bem.

Depois de frio, transfira pra uma tigela de louça. Junte a pimenta cortada em tirinhas, deixe regular a superfície da mistura de berinjela, embebendo-a com azeite. Vá colocando o azeite aos poucos, fazendo pequenos vãos na mistura pro azeite ir agarrando cada tirinha de berinjela. Acrescente algumas gotas de balsâmico e sal a gosto. Dê uma outra mexida, de forma a garantir que o azeite tenha generosamente aderido à berinjela. A quantidade de azeite estará no ponto quando tudo estiver tinindo de brilho e (de novo o ouvido) quando o barulho ao mexer lembrar cubos de gelo submetidos a um jato de água.

Sirva gelado, se for com torradas/biscoitinhos. Para aquecer, tire da geladeira uns 30 minutos antes de usar. Use um fio de azeite numa panela de fundo grosso, espalhe uniformemente a berinjela já bem resfriada e tampa a panela. Estará aquecido assim que fizer bolhazinhas uniformes.

Variações Ao invés da pimentinha, há quem coloque pimentões verde, vermelho e amarelo, cortados em tiras finas, crus, depois que a berinjela já gelou. Fica lindo, as cores vivas quebrando aquele marronzão da berinjela, e até curto o gosto. Mas se sobrar um pouquinho, já fica ruim de comer na sequência, pois o pimentão deixa qualquer sobra com gosto amarguento. Por isso uso a pimentinha de cheiro, aquela compridinha parecendo uma garra de onça em escala maior. Pimentices delicadas num colorido mínimo garantido.

Em tempos de estudante, eu só poderia comprar a berinjela, o alho e a pimenta. Fica bom também. Mas não dá pra abrir mão de um bom azeite e de uma manteiga de boa qualidade.

Quando fiz essa receita ontem, fiz também em separado um picado de calabreza fininha (uso a da Sadia) refogada que vou misturar agora na porção de berinjela pro fusilli Barilla. Com um parmesão ralado na hora e um Shiraz aberto a propósito, está garantido um banquete.

Vantagens Sim, sim, sei bem que dá a maior trabalheira cortar uma montanha de berinjela, que acaba reduzindo um bocado, diria que uns 2/3 do volume inicial. Mas o grande barato dessa receita são na verdade duas coisas: 1) é barato 2) dá pra fazer uma grande quantidade e congelar pequenas porções.

Julie & Julia diziam bom appetit.

Digo eu daqui: Mohand, merci et bon appetit.