Arquivo do mês: junho 2008

120 vezes – ou a diferença entre de e da

Já chorei mais de 120 vezes, mais de 120 litros de lágrimas. Nos últimos cinco anos, degustei umas 12 caixas de vinho, tendo quebrado menos de 12 taças; usei mais de 120 quilos de tomate e talvez 120 cebolas pro molho de 12 mil pacotes de Barilla. Mais de 120 mil beijos; transas, um pouco menos; namorados, parei de contar no 40º. Já escrevi mais de 120 cadernos, já li certamente 12 mil livros. Já comprei mais de 120 calcinhas e com certeza mais de 120 blusas, mas nunca tantos calçados, calças jeans e casacos de inverno. Bolsa, talvez 12 ao todo. Já cortei o cabelo mais de 120 vezes, suspiros ultrapassam os 120 milhões, idem pra sorrisos escancarados. Não tenho 120 cáries, mas certamente mais de doze. Fumei, sim, mais de 120 mil cigarros (puts!) e juntando tossidas e pigarros, talvez outro tanto. Já viajei de avião mais de 120 vezes, conheço mais de 120 cidades, mas não chegam a 12 os países. Já vi 12 mil filmes, mas há seletos 12 na lista dos que mais adoro. Já tomei uns 120 mil banhos, se contar os de rio, piscina e mar e já mudei de casa 12 vezes – tive oito (!!!!!!!!!!)  geladeiras diferentes, pagas em talvez 10 ou 12 parcelas; idem para  microondas, som, tevê tela plana e computador. Já paguei o correspondente a mais de duas vezes 120 meses de aluguel e de condomínio. Mas nunca, em nenhum momento da minha vida, tive 120 prestações pra pagar: lanço-me nessa dívida longeva pra ser, pela primeira vez, não só a dona de casa, mas também a dona da casa. Pelo menos de direito, porque de fato, mesmo, a dona da casa é a Cloé.

Bom, tá, tá, eu sei …  a CEF também.

Mas é só pra bichana que arranjei uma cabana especial em cada peça do apartamento com quatro vistas diferentes pro mar.

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