Arquivo do mês: abril 2008

Pode

Linhas paralelas:

encontro

no oco

entre elas.

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Bolsa dengosa

Na bolsa de todos os dias, o menor peso possível. O critério é amplo e aplicável às coisas que se leva a tiracolo: se não for usar, não leve; e se for necessário, tenha sempre. Mas não é só isso: a nécessaire e o estojo têm que ser de material leve, o mais leve possível para não acrescentar peso ao que é necessário ter minimamente organizado dentro da bolsa; e têm que ser transparentes: agiliza muito ver onde está o tylenol e o lápis sem ter que tirar tudo de dentro. A merendeira (huah!) é de tecido pra não acumular volume e peso supérfluos – já chega o iogurte, a colher, a banana o mamão e os biscoitos.

 

O único luxo do excesso são batons: gosto de pelo três de diferentes cores, mas ainda assim aplico critério para deixá-los ou não na bolsa: se só for possível usá-los com a interferência do mindinho, são transferidos para a gavetinha do banheiro. Aproveitar até o fim, só com cotonete ou pincel. E definitivamente, não carrego isso comigo, mesmo que sejam leves feito uma pluma.

 

Mas eis que não tive lá muita escolha: são cento e cinqüenta gramas a mais na minha bolsa por conta do tubo do repelente incorporado ontem à utensiliaria que carrego comigo. Ou é isso ou o risco do Aedes me inocular com a dengue fica tanto maior quanto maior for a exposição dos meus ricos pezinhos durante o lanche antes da aula da noite, quando, dizem os especialistas, os mosquitos atacam em hordas sanguinárias.

 

Assim, antes mesmo de pedir o café que acompanhará as calorias que trago na bolsa, saco a arma poderosa e – dizem – eficiente, e aplico o creme à base de citronela nos pés, avançando perna acima, a depender da largura da calça: quanto mais pantalona, maior o risco de a criatura invisível e enxerida se introduzir entre os vácuos esvoaçantes da calça. Dias desses, para efeito de segurança antes de me render ao peso extra na bolsa, usei botas cano alto. Mas ai … que calor.

 

A graça, apesar do peso extra, é que o repelente é cremoso e deixa a pele até macia. O cheiro de citronela lembra vagamente a perfumaria natureba e se volatiza logo, uns dois minutos depois da aplicação. Espero que pelo menos o que fica retido no creme seja uma muralha intransponível para o bico vampiro do infame mosquitinhozinhoinho.


Guima

ser tão

tanto

ser tão

antes de tudo

só são tão calos os meus dedos

no nada

é que dói

ser então eu a minha alma.

(Poa, setembro de 1990)